terça-feira , 7 julho 2020

Caruaru tem potencial de propagação da Covid-19 semelhante ao de capitais, aponta estudo

Dinâmica de centro regional da cidade pode contribuir para a interiorização da doença no Estado

Profissional de saúde de Caruaru com equipamentos de proteção contra Covid-19
Foto: Arnaldo Felix/Prefeitura de Caruaru

O potencial de propagação da Covid-19 em Caruaru, no Agreste de Pernambuco, é semelhante ao de capitais de alguns estados do País. É o que diz um estudo publicado na plataforma medRxiv, ainda sem revisão de pares. Segundo a pesquisa, o município – assim como outras cidades do interior do Brasil como Ribeirão Preto/SP e Campina Grande/PB – é uma cidade-polo, ou seja, tem grande concentração de indústrias, comércio e serviços, além de uma importância estratégica na dinâmica de mobilidade regional.

Essa dinâmica fornece a Caruaru um papel central no processo de interiorização de casos de Covid-19 no Estado. O estudo foi feito por pesquisadores das universidades Federal de Ouro Preto (UFOP) e Estadual Paulista (Unesp), em colaboração com colegas do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

“Essas cidades podem ajudar a acelerar e amplificar a interiorização da epidemia de Covid-19 ao servir de atalho para a propagação da doença para diversos outros municípios com os quais têm conexões”, diz o pesquisador do Cemaden, Leonardo Bacelar Lima Santos.

Painel analítico da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) sobre a Covid-19, elaborado por pesquisadores do Centro Integrado de Estudos Georreferenciados (Cieg), mostra as mudanças de disseminação do coronavírus em Pernambuco. A dispersão e a concentração de casos, que no início da doença era intenso no Recife e Região Metropolitana, está se deslocando para o Agreste, em direção ao Sertão pernambucano, numa velocidade muito alta, com a BR-232 como vetor de difusão.

Para junho, o Governo do Estado anunciou a ampliação da rede estadual de saúde para o atendimento exclusivo da Covid-19 com a entrega de três hospitais de campanha no Interior, um investimento de mais de R$ 4 milhões. Somadas, as estruturas vão oferecer 301 novos leitos, sendo 104 em Caruaru, 95 em Serra Talhada, no Sertão, e 102 em Petrolina, também no Sertão. 

Como foi feito o estudo
Para identificar as cidades brasileiras mais vulneráveis à disseminação do Sars-CoV-2, o vírus da Covid-19, os pesquisadores analisaram a mobilidade entre municípios das regiões Sudeste, Sul, Nordeste e Centro-Oeste, baseada em uma abordagem de redes.

As redes de conexão entre municípios foram construídas a partir de dados de mobilidade terrestre obtidos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que fornece informações sobre os fluxos de pessoas entre as cidades por diversos modais.

As cidades foram representadas nas redes por nós e as conexões entre elas como arestas (segmentos de encontro dos nós). Por meio de ferramentas matemáticas foram medidos o número de municípios aos quais uma cidade está conectada – para avaliar o número de destinos possíveis de novos casos da doença –, a força da conexão, em termos de fluxo de pessoas, e a centralidade delas na rede.

Os resultados indicaram que cidades como Campina Grande/PB e Feira de Santana/BA, a exemplo de Caruaru, têm forças de conexão mais altas do que as capitais de alguns estados do País. Algumas cidades do estado de São Paulo, como Ribeirão Preto, Jundiaí, Sorocaba, Piracicaba e Presidente Prudente, também figuraram em posições mais altas em todas as medidas analisadas.

Ao comparar os resultados das medidas com os casos confirmados de Covid-19 no Brasil até 1º de maio, os pesquisadores constataram que a força da conexão é a métrica que apresenta a melhor correspondência com a disseminação da doença no País. As cidades com maior força de conexão também são, em média, as que primeiro registraram casos de infecção pelo Sars-CoV-2.

Covid-19 em Caruaru
De acordo com o último boletim divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde, Caruaru soma até essa quarta-feira (3) 707 casos e quatro óbitos confirmados por Covid-19. Permanecem ainda em investigação 203 pacientes e 525 já se recuperaram da doença causada pelo novo coronavírus.

Por: Portal FolhaPE com Agência Fapesp

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