segunda-feira , 18 janeiro 2021

Joe Biden é eleito pelo Colégio Eleitoral o 46º presidente dos Estados Unidos

O novo presidente dos Estados Unidos, o democrata Joe Biden Foto: Angela Weiss/AFP

Uma disputa histórica, acirrada e contada voto a voto elegeu o democrata Joe Biden como o 46º presidente da história dos Estados Unidos. A corrida eleitoral atraiu holofotes em todo o planeta desde a última terça-feira (3), quando começaram a sair os primeiros números após o dia oficial de votação.

A confirmação da eleição de Biden pelo Colégio Eleitoral – sistema americano de sufrágio universal indireto – ocorreu neste sábado (7), quando viradas na apuração nos estados da Geórgia (16 delegados) e da Pensilvânia (20 delegados) garantiram o número necessário de votos para eleger o democrata. Os dois eram liderados pelo republicano Donald Trump, que, em discurso repleto de desinformação nessa quinta-feira (5) deu a entender que irá judicializar o pleito.

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A contagem ainda não foi encerrada, e dois estados – Carolina do Norte (15 delegados) e Alasca (3 delegados) – seguem com suas respectivas apurações. Em ambos, a vantagem, por ora, segue sendo de Donald Trump, que, mesmo levando os dois, chegaria a 242 delegados, número insuficiente para alcançar Biden.

Com a derrota nas urnas e no colégio eleitoral, Donald Trump é o primeiro presidente em 28 anos a não ser reeleito. Em 1992, o republicano George H. Bush perdeu para o democrata Bill Clinton e não conseguiu seu segundo mandato.

Nas eleições posteriores, todos foram presidentes por oito anos. Clinton foi reeleito em 1996; George W. Bush ganhou em 2000 e em 2004; e Barack Obama foi eleito em 2008 e reeleito em 2012.

Quem é Joe Biden?
Joe Biden sofreu profundas perdas pessoais e viu suas primeiras ambições políticas obstruídas, mas o veterano político democrata agora espera cumprir sua promessa de unificar os Estados Unidos. Não é comum que os perfis dos dois candidatos à presidência dos Estados Unidos sejam tão diferentes, mas na disputa de 2020 a personalidade amigável de Biden, com sua origem modesta, se opõe à personalidade exultante de Trump, um empresário que nasceu em um círculo de privilégios mas que insiste ser o o candidato ‘outsider’.

Em sua longa ambição de chegar à Casa Branca, que começou há décadas e inclui duas tentativas infrutíferas, Biden, otimista com base eleitoral em Delaware afirmou que pode mudar o estado de espírito dos Estados Unidos, passando da “raiva e suspeita à dignidade e respeito”.

Aos 77 anos, Biden tornou-se a pessoa mais velha a assumir a presidência dos Estados Unidos. Ele vai herdar um país afetado por uma pandemia que avança e provocou mais mortes que em qualquer outro país, assim como uma presidência que considera manchada pelas “mentiras” de Donald Trump. 

Biden entrou para a política nacional aos 29 anos, quando conseguiu uma surpreendente eleição como senador por Delaware em 1972. Mas apenas um mês depois uma tragédia abalou sua vida, quando sua primeira esposa, Neilia Hunter, e sua filha de um ano morreram em um acidente de carro quando saíram para comprar uma árvore de Natal. 

Seus dois filhos ficaram gravemente feridos, mas sobreviveram ao acidente. O mais velho, Beau, morreu vítima de câncer em 2015. As tragédias ajudaram a cimentar a empatia com a opinião pública americana.

Suas habilidades são polivalentes. Da mesma forma que sorri em um auditório lotado de estudantes universitários, Biden é capaz de conectar-se com operários de áreas em crise econômica ou expressar duras críticas aos rivais. 

Esta habilidade foi cerceada em 2020, quando a crise do coronavírus freou a campanha presencial e o deixou confinado em casa, local do qual saiu poucas vezes nas últimas semanas. 

Biden não tem a mesma força que durante os oito anos em que foi vice-presidente de Barack Obama e, apesar de conservar o sorriso de comercial, seus passos são mais lentos. Os críticos e os próprios democratas questionaram durante a campanha se a sua propensão a gafes seria um destaque durante a campanha contra Trump. 

Trump explora o tema e o chama de “Joe, o dorminhoco”. Também o acusou de sofrer uma deterioração cognitiva. Biden tentou responder os ataques e, em um momento de frustração depois que o presidente o interrompeu diversas vezes no primeiro debate da campanha, questionou exasperado: “Cara, você não vai se calar?”. 

Quando foi eleito pela primeira vez, era um dos senadores mais jovens no Capitólio, onde passou décadas antes de ser o vice-presidente de Obama por oito anos. 

A mensagem de Biden se articula em grande medida em associação com seu estilo moderado durante o governo de Obama, mas durante a campanha prometeu que como presidente adotará posturas mais progressistas nas áreas da mudança climática, justiça racial e alívio da dívida estudantil.

Novo presidente dos Estados Unidos terá missão de unificar o país (Foto: Drew Angerer/Getty Images via AFP)

Uma recuperação espetacular
Mas Biden quase não conseguiu a designação democrata. Apesar de ter iniciado a disputa como favorito, muitos o descartaram por ser considerado velho, muito moderado e sua campanha parecia destinada ao desastre após as primeiras votações das primárias, vencidas por Bernie Sanders. Mas com a primária da Carolina do Sul e o apoio dos eleitores negros, Biden retornou à disputa. 

A disputa marcou um grande contraste com sua tentativa de 1988, quando desistiu das primárias depois da vergonha provocada pela descoberta de que havia plagiado um discurso. Na tentativa de 2008 também foi mal e recebeu menos 1% dos votos no caucus de Iowa, que marca o início da corrida.

Naquele ano foi escolhido como candidato a vice de Obama, para quem passou a ser o “guerreiro feliz dos Estados Unidos”. Após a vitória, Obama o designou coordenador da recuperação da profunda recessão que afetava o país. 

Os dois discordavam sobre a guerra no Afeganistão e Biden foi contrário ao aumento do número de tropas.  Em seus 30 anos no Senado, Joe Biden foi conhecido pelas alianças improváveis e, assim como Trump, por sua propensão a sair do roteiro. 

Suas escolhas durante a longa carreira provocaram críticas dos democratas, incluindo de sua candidata a vice, Kamala Harris, que recordou durante as primárias a oposição do senador a um sistema contra a segregação nas escolas que consistia em levar crianças negras para colégios predominantemente brancos.

Também foi muito criticado por ajudar na redação de uma lei de 1994 que muitos democratas acreditam que provocou a detenção de uma quantidade desproporcional de cidadãos negros. Recentemente Biden reconheceu que esta iniciativa foi um erro.

Outros episódios no Senado também jogaram uma sombra sobre sua campanha, como o apoio à guerra do Iraque em 2003 e seu papel na audiência de confirmação do juiz da Suprema Corte Clarence Thomas em 1991, quando foi questionado sobre a maneira como abordou as acusações assédio sexual contra o magistrado. 

No ano passado, uma polêmica sobre sua tendência de tocar as mulheres também abalou a campanha. Biden pediu desculpas e prometeu levar em consideração no futuro o “espaço pessoal” das mulheres. Sua narrativa pessoal e suas histórias familiares estão conectadas de tal maneira como seu discurso político que se transformaram em parte de sua imagem. 

O acidente de 1972 em que perdeu a esposa e a filha mais nova, e no qual os filhos Beau, de 4 anos, e Hunter, de 2 anos, ficaram gravemente feridos passou a integrar sua mitologia, depois que prestou juramento como senador do hospital em que as crianças se recuperavam. 

Em 1975 Biden conheceu a segunda esposa, Jill Jacobs, uma professora com quem se casou dois anos depois. O casal tem uma filha, Ashley. Beau tentou seguir os passos do pai na política e foi eleito procurador-geral de Delaware, mas faleceu vítima de câncer cerebral em 2015, quando tinha 46 anos.

“Ficar de pé”
Seu outro filho Hunter, um advogado que se dedica ao lobby, tem outra trajetória. Ele recebeu um salário elevado como parte da diretoria de uma empresa de gás ucraniana quando o pai era vice-presidente, o que rendeu acusações de corrupção. 

As pressões de Trump para que a Ucrânia investigasse Biden renderam um processo “impeachment” ao presidente na Câmara de Representantes, que terminou com a absolvição no Senado. Hunter não recebeu nenhuma acusação, mas Trump cita a questão sempre que possível. 

Joseph Robinette Biden Jr nasceu em 20 de novembro de 1942 e cresceu em Scranton, Pensilvânia, em uma família de origem irlandesa muito católica. Seu pai era um vendedor de carros e na década de 1950 perdeu o emprego. A família se mudou para o estado vizinho de Delaware quando Joe tinha 10 anos. “Meu pai sempre dizia: ‘Campeão, quando alguém te acerta, você tem que ficar de pé de imediato”, conta Biden. 

Em Delaware ele se tornou um cidadão local. Quando era jovem trabalhou como salva-vidas em uma piscina em um bairro negro, onde aprendeu sobre as injustiças que afetam esta comunidade, o que despertou seu interesse pela política. 

Biden estudou na Universidade de Delaware e na Faculdade de Direito de Syracuse. Sempre demonstrou orgulho de sua origem operário e de ter superado a gagueira. Até hoje dá conselhos aos jovens que sofrem deste distúrbio.

Joe Biden aponta com frequência a esposa Jill, de 69 anos, como uma figura importante de sua campanha e recentemente recordou como assumiu a criação de seus dois filhos. 

“Ele estaria orgulhoso de mim?”
Ao falar sobre a dor provocada pela morte de Beau, admitiu que é um pesar que “nunca se vai”. A tragédia o impediu de tentar a candidatura à presidência em 2016. Ele ainda costuma parar para cumprimentar os bombeiros que encontra ao lembrar que foram eles que salvaram a vida de seus meninos.

Em 1988 os bombeiros o salvaram quando o levaram par o hospital depois que sofreu um aneurisma. Alguns afirmam que o estado era tão grave que um padre foi chamado para administrar a extrema-unção. 

Todos os domingos Biden comparece à paróquia de São José em Wilmington. No cemitério da localidade foram sepultados os seus pais, sua primeira esposa, sua filha e Beau, sob uma lápide decorada com uma pequena bandeira americana.

Em janeiro, Biden destacou a grande influência de Beau em sua vida. “A cada manhã eu levanto e pergunto: Ele estaria orgulhoso de mim?”, contou.

Por Portal Folha de Pernambuco com AFP

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